quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Portugal, Portugal

Olho-te à distância, mas não deixo de te ver. Ontem passaste uma primeira prova, ao colocar à venda a tua dívida pública com relativo sucesso. Um caminho de espinhos que não sei se conseguirás suportar. A última vez que tiveste o FMI à perna foi nos anos 80 do século passado. Desbarataste os fundos europeus, subsidiaste para não se produzir, desinvestiste nos transportes públicos, e agora descobriste que vives numa casa de vidros finos e opacos. E os teus pés de barro são tão pesados... Antes disso, conheceste a bancarrota de verdade no final do século XIX, quando ainda reluziam as colónias na coroa e existia uma monarquia decrépita.
Será um problema ocasional ou, de verdade, é a tua raiz que cada vez está mais podre?
Glorificas o desenrascanço em vez da reforma e resolução, endeusas líderes ocos que gostam de dar porrada para resolver os problemas. E bem sabemos, Portugal, como a porrada é um bom método educativo, expoente de uma verdadeira evolução social, não é?
A verdade é que não morres, mas descaracterizas-te e tornas o teu povo mais fraco e vulnerável, uma receita pouco famosa para um país que já está na periferia da Europa. A solução tem de ser aplicada desde de cima, mas enquanto forem os demagogos a segurarem o poder só lhes interessará isso mesmo, favorecimentos e as reformas douradas.
Pelo menos é-se bem recebido, come-se bem, bebe-se bom vinho, e sem dúvida que se passam boas férias nos teus recantos maravilhosos. Ponto final.

2 comentários:

  1. Ai Portugal, Portugal. Tens um pé numa galera e o outro no fundo do mar.

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  2. " Ao embarcar, D. João VI rapou os cofres do Banco do Brasil e levou consigo o que ainda restava do tesouro real que havia trazido para a colónia em 1808. « A realeza , que acabava de viver na corrupção, fizera um verdadeiro assalto ao erário brasileiro.»(...) in 1808, de Laurentino Gomes. parece que andamos sempre á míngua e à deriva...E não é de agora... Abraço.

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