quinta-feira, 31 de março de 2011

Ó Praça da República, Condeixa do meu coração

Assim era o grito ritual de muitas vezes, quando era miúdo e chegava a Condeixa para passar as minhas férias inteiras, ao pé dos meus avós, dos amigos, e da minha bicicleta aventureira. E se mais houvesse...

Explicar onde fica Condeixa nunca foi difícil, "é uma terra a uns 10 km de Coimbra. Já alguma vez foste às ruínas de Conímbriga? Sim, é por aí!". Cheguei mesmo ao cúmulo de uma vez, numa viagem de estudo da escola primária, por acaso às ruínas romanas, de ter ficado logo por Condeixa, voltou o autocarro com a minha professora, a D. Céu, e os meus colegas de turma, e fiquei eu. As coisas eram assim de simples. Para mim continua a ser um espaço mitificado e cristalizado na minha essência emocional, e que me dá grande prazer cada vez que volto.

No fim de semana passado voltou a comemorar-se mais um Senhor dos Passos, uma festa religiosa a evocar o Calvário. À parte dos ritos, preferi a reunião familiar, com todos aqueles que já não via há muitos meses, e que é óptimo reencontrar. E toda aquela comida deliciosa. Claro que teve de surgir à baila aquela história de quando era pequenito e ia vestido de santo com uma cabacita e queria sair da procissão para me ir mostrar a um senhor sapateiro que vivia em frente aos meus avós, "mas não pode ser", e eu apelava "é só um bocadinho, não demora nada", "mas não podes". E lá fui eu a correr.






O Rio do Cais, na Praça. 



A Praça renovada. 
Nos tempos idos tinha dois candeeiros públicos, altos, na parte central, 
que eu feito macaco gostava de trepar. Até lá acima.







O chafariz, agora numa posição menos central. Se ainda existirem miúdos a jogar à bola na praça, agradecem. Os que jogarem à apanhada, não  :-)



As canas. O meu avô cortava-me sempre uma para eu brincar. 
Não existiam playstations, era preciso meter a imaginação a funcionar!









As azedas, para temperar um passeio.





Destas não me lembro do nome, mas quando se apertava a base da flor, ela abria-se como se fosse uma boca a falar. Um par delas equivalia a horas de distracção...


A nova biblioteca, que já tem um tempo de história. Lembro-me dela primeiro onde hoje creio ser o Núcleo Sportinguista (Força Sporting!), e mais tarde num espaço dos Bombeiros. Ainda devo ter perdido por aí um cartão que me atesta como leitor da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian em Condeixa.

E não houve tempo para mais, mas ainda fica muito por escrever e fotografar.

4 comentários:

  1. Boa reportagem, belas fotos... tem sempre um sabor especial voltarmos aos nossos paraísos da infância ( não lhes chamo perdidos, pois ficaram connosco com um significado que só cada um compreende...), do tempo das férias mesmo grandes a valer e antes das tecnologias modernaças...lol
    Abração...

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  2. As voltas que tenho dado a esta Condeixa para descobrir o Hugo R.Madeira!Já "visitei"todos os sapateiros(e eram muitos)para encontrar aquele onde o "anjinho"queria abandonar a procissão e assim saber quem eram os avós desse menino.Serão certamente meus contemporâneos,que tenho idade para isso.As fotos estão lindas,a "Fonte dos Amores"é que nem por isso.Mas já esteve bem pior.Espero que tenha gostado do "nosso"cabrito assado.Cumprimentos.
    Cândido Pereira´

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  3. Chamava-se este sapateiro Ti Luís Cavaca.

    O cabrito é sempre maravilhosamente delicioso, realmente!

    Cumprimentos,
    Hugo

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  4. Luís Cavaca era o meu bisavô, morava na antiga Rua Direita (Hoje Fortunato Bandeira), onde funcionava sua sapataria. Emigrou para o Brasil no final dos anos 1960 para se juntar ao meu avô e minha avó em São Paulo. Agradeço se puderem me enviar mais informações, memórias e documentos sobre ele e a cidade.
    Parabéns pelo blog e pela pesquisa.

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