quinta-feira, 26 de maio de 2011

A imagem de Portugal no estrangeiro

Mais do que ser recordado como o país de Mourinho, aquele tipo arrogante e sem grandes maneiras (o oposto da normal boa disposição e gosto de bem receber português), ou pelo país que está a ser resgatado pela dupla UE/FMI (ou melhor, hipotecado), prefiro que Portugal seja reconhecido como país de origem da língua portuguesa, a sexta mais falada em todo o mundo, e de alguns dos melhores produtos gastronómicos do planeta.

Em relação à língua não me canso de apontar o dedo a duas instituições amorfas e estagnadas, que são o Instituto Camões e a CPLP, que pela promoção e difusão da língua no exterior fazem muito pouco, para além de não existir em Portugal uma instituição inteiramente dedicada à dignificação e cultivo da literatura e língua portuguesa. Infelizmente. E esta é uma das muitas razões pelas quais quando chegamos a uma grande maioria de museus, quer na vizinha Espanha, quer noutro destino mais longínquo, temos de escolher sempre outra língua, diferente da nossa nativa, para ouvir explicações ou ler os panfletos informativos.

Falando de produtos alimentares, o maior embaixador que temos é, sem dúvida, o vinho que produzimos, e ainda de maior prestígio, aqueles que são generosos e fortificados, como é o caso do vinho do Porto, os moscatéis e o vinho da Madeira. Portugal, apesar das suas excelentes colheitas, tem uma fraca divulgação e uma imagem deficitária, contribuindo esta aliança para situações estranhas e, ao mesmo tempo, cómicas, como é o caso de em Inglaterra até o Líbano vender mais vinho que o nosso país. Ainda assim, o vinho do Porto continua a ser vital para a nossa boa imagem, e continua a recolher admiração e respeito pelos quatro cantos da Terra.

A Wine Spectator, uma revista de referência do universo vitivinícola, na sua  lista  dos 100 mais destacados de 2010, apresenta alguns portugueses, que são:


CARM Douro Reserva 2007, da Casa Agrícola Roboredo Madeira

Dow Vintage Port 2007, da Symington Family

Quinta do Vallado Douro Reserva 2007, da Quinta do Vallado

Também do Douro, o Quinta do Castro Reserva 2006, é o único representante português que pode ser encontrado no "The New York Times Wine Club".

Poderão ler este artigo para perceber existe sensibilidade para o sabor português e expectativa pelo futuro. Mas isso partilhamos todos.

A designação vintage dá-se em anos de excepcional qualidade, e é a classificação mais alta que pode receber um vinho do Porto, sendo que o líquido obtido vem apenas dessa colheita. "Colheita", "Late Bottled Vintage" e "Vintage" têm essa característica em comum. O vintage é um vinho que deve ser guardado, no mínimo, quatro anos antes de ser bebido, sendo que normalmente evolui em garrafa até aos 20 anos, mas muitas vezes até bastante mais.  Quando aberto, deverá ser consumido nos dois dias seguintes, enquanto não começa a perder propriedades. Para quem não quer esperar, os Colheita, Reserva Tawny e Tawny envelhecidos - 10, 20, 30 e 40 anos - , são a melhor opção, devendo terminar de ser bebidos depois de aberta a garrafa, no máximo, de um (Reserva) a quatro meses (Tawny envelhecido e Colheita), preferencialmente.  O LBV (Late bottled vintage), por envelhecer em cascos e evoluir pouco em garrafa, também é uma boa opção para quem não quer esperar por um vintage. Deve terminar de ser bebido até cinco dias depois.
Quanto mais velhos forem, mais claras se tornam as suas cores e mais complexos os sabores. O vinho do Porto tem o seu momento de eleição para ser degustado após as refeições, com a sobremesa, mas não se descartam outros momentos.


Dicas para as compras: 2007 é ano de Porto vintage, mas um dos melhores anos, senão o melhor vintage do séc. XX, terá sido 1994. A colheita de 2008 tem uma qualidade média muito boa, na generalidade das regiões vitivinícolas portuguesas.

1 comentário:

  1. Pois... temos ali um Porto Rozès Vintage que temos que beber num serão ... para não perder qualidade...hehehehehe mesmo que não jogue o Barça... Abraços.

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