quinta-feira, 15 de setembro de 2011


Recordaram-me Augusto Gil, ao ler um artigo no blogue de Cândido Pereira.

O poeta viveu a maior parte da vida na Guarda, a cidade mais alta de Portugal. Apesar do frio, é daí originária a flor mais bonita desse jardim rectangular à beira-mar plantado.


MÃOS FRIAS CORAÇÃO QUENTE
Dez da manhã. Vento da serra. Três graus negativos
Mãos frias, coração quente!
Quanta vez isto dizias
Com o teu ar sorridente,
Apertando-me as mãos frias…
Agora decerto o tenho
Num brazeiro, num vulcão.
O frio é tanto, é tamanho
Que a penna cae-me da mão…
Q'ria dizer-te o que penso
E o que faço e premedito,
Mas posso lá ser extenso
Com este frio maldito!
Tu perdoas certamente,
Tu não te zangas, pois não?
Mãos frias, coração quente
—Lá diz o velho rifão…

in Luar de Janeiro, 1909

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