sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Fiquei cor de sumo

Quanto mais olhava para aquela laranja, mais me inquietava o tamanho monstruoso do exemplar. Grande, muito grande, quase tão grande como uma pequena abóbora. De onde terá vindo? Utilizaram adubos? Para aquele tamanho podia ser um fruto transgénico? Estou a comer laranjas transgénicas? Posso morrer? Não iam deixar vender laranjas que matassem pessoas. Especialmente aquela, que se desfazia em sumo na minha boca, com gomos intensos que eu ia comendo com gula. Ainda me lembro, sou daquele tempo, em que andaram aí à pepinada porque existiam uns legumes com bactérias que matavam pessoas. Mas aquilo foi por acaso e avisaram logo! Eu estou a comer esta laranja à noite, se tivesse morrido alguém, já se sabia. Já teria saído na TV e aquela frutaria já estaria fechada e eu não poderia ter comprado aquela laranja notável. A não ser que fosse um daqueles idosos que vivem sozinhos e o pobre coitado tivesse tombado em casa sem ninguém para o ajudar. Aí talvez ainda não se soubesse e eu posso ser o próximo. Ou se as laranjas acabaram de chegar à loja. Mas eu não como a casca da laranja, que tonto. Não gosto. A não ser que tenha sido caramelizada e a usem num bolo rei. Mas lavavam-na primeiro, não era? Não sei, tudo me parece estranho. Uma vez contaram-me que as fábricas de margarina e de hambúrgueres aproveitam tudo, provavelmente até aproveitam as bactérias, para lhes dar um sabor exótico. Ah, hambúrgueres a los estreptococos, ou margarina com sabor a escherichia, para as donas de casa gulosas. Não sei, acho que estou a ser paranóico. Ou demasiado realista!
Tossi.

Isto quer dizer alguma coisa? Não, quer dizer que estamos no inverno e eu não trouxe o casaco. Se morrer é de pneumonia, não de laranjas infectadas.

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