quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Agonia no servidor


O rapaz colocou no Google “agonia no servidor”, porque realmente não havia nada mais que pudesse procurar para meter aquele pedaço de matéria inanimada a funcionar. O processo de fazê-lo estava correcto, as linhas de código até se arriscava a dizer que estavam bonitas, todas alinhadas com espaços discretos e intervalos metódicos. Já tinha virado do avesso o computador com todas as suas regras, e não funcionava porquê? Na sua última experiência tinha conseguido colocar no ar a página de Internet. Tudo configurado, bonito, mas tinha sido apenas uma experiência. Agora, que realmente lhe interessava colocar a sério aquele proto-site ao vivo para o mundo, existia uma peça que não encaixava. Ou o servidor, ou a linguagem da página ou o programa de configuração. Bem que tentava ler o código mas não era assim tão entendido, e a verdade é que para um geek ou um nerd devia parecer um dork, que é como quem diz que passou o pobre rapaz de burro para pónei, bem pequenino na sua ignorância. Para qualquer um que a língua nativa não seja o inglês a programação e a Internet está cheia de palavras difíceis, que parecem obtusas e corpulentas, mas a verdade vem ao de cima quando num momento de aflição se pergunta ao omnisciente Google que por favor aclare o saber sobre a Cloud e ele devolve imagens de nuvens ou se procura aprofundar o conhecimento sobre Guest OSes e dá a conhecer listas de convidados para discotecas, martela bug no teclado e é apresentado a insectos repelentes. Já exausto, o rapaz procura algum significado para python e encontra línguas bifurcadas. Se já era ridículo antes de estar aflito, agora é patético. Não interessa mudar símbolos, decorar parêntesis rectos ou explorar o poder dos pontos e vírgulas. Não consegue de maneira nenhuma que funcione. E a frustração apodera-se dele, desolando-o. Naquela tristeza, dado por vencido, depois de ter ajuizado por estragada uma tarde de sexta-feira estival, nada mais lhe resta que explorar a condolência dos amigos e a auto-comiseração. Desgraçado, chega ao café-bar da esquina e afoga numa imperial todos os paradigmas.

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