terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Maratona contemplativa


São quase duas da tarde e ainda estamos todos à entrada do parque, à espera de uns e de
outros. Faz muito frio e parados a situação piora, tenho de dar saltinhos para poder manter
o corpo um pouco quente. Para nos entretermos vamos contando histórias, como a da Sara,
que da última vez que fizemos uma caminhada se desequilibrou mesmo a usar dois bastões
e fez os quinze metros mais rápidos da vida dela. Também nos lembrámos do Bruno que
ainda estava no carro quando numa ultrapassagem lhe bateram no vidro do carro como quem
estivesse a bater à porta de uma casa. O pobre coitado, e com razão, apanhou um susto tão
grande que jurou que dali para a frente só andaria de transportes públicos. E ainda nos rimos
como ele comentava, a gabar-se, que era o único dos que estavam ali que tinha direito a
motorista. E não fugia à verdade, apesar de ser o sentido lato do termo...

E enquanto dava mais um saltinho para temperar o corpo, acerto numa pedra que já ali devia
estar quando os nossos carros saíram de casa naquela manhã e sinto um pequeno esticão que
me leva a agarrar o tornozelo com uma dor aguda, miudinha, e me obriga a sentar no chão.
Torci o tornozelo, grito. A caminhada acabou sem ter começado e se já estava aborrecido,
agora vou ficar martirizado com uma espera de várias horas até que os meus companheiros
voltem do passeio. Sem mais desculpas, como que à espera do momento que me brindou a
desgraça, atacam a montanha enquanto eu ligo o rádio do carro e cruzo os braços, aborrecido,
para a minha maratona contemplativa.

1 comentário:

  1. Ah então de passeio nada!!! Podias ir escrevendo um conto... Abraço.

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