quinta-feira, 1 de março de 2012

t'estimo!


De volta ao campo para comemorar o meu aniversário, num hotel aldeão com direito a uma aparatosa lareira à espera do inverno e uma cama realmente grande. A chegada foi a um sítio diferente, onde o chão é forrado a pedra que se erige em paredes de dois e três andares, decorado com plantas floridas que se despedem do tempo quente. Encho o peito de ar seco, em passos longos pelo caminho que estas pedras traçaram e de mão dada os meus dedos tocam os dedos finos da minha companheira. Partilhamos sorrisos cúmplices do muito que vivemos e falamos dos mundos que fundimos em abraços. As almas são emoções engarrafadas que esperam pelo saca-rolhas encantado para despertar todas as intenções escondidas. Aqueles dedos finos pedem agora para me sentar e ler um pequeno livro creme, que tem na capa um coração e a inscrição “Amo-te” em catalão, t'estimo. As letras pequenas parece que dão pouca importância ao evento e à magia que esconde. Abro-o e leio com agitação as linhas que se desenham nos meus olhos. Falar de emoções não é um exercício fácil, nem óbvio. Em poucas páginas fico refém das emoções extrapoladas por aquele manuscrito delicioso. Tenho que fechar o livro porque o mar salga-me os olhos. A criança indefesa que tomou conta de mim parece ser um desenho manga com olhos gigantes que tremem e procuram refúgio na minha mão fantasiada de concha. O meu coração é uma fortaleza, habitada por mim e uma princesa de pele branca que eu mancho de desejo. Com um beijo declaramos tréguas e com os dedos entrelaçados selamos a ternura do nosso encontro. Agora com passos de música volto a desejar o cheiro dela nos meus lençóis.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a obras derivadas 2.5 Portugal.